Counter-Strike 2: estudante cria uma "impressão digital" do rato e do teclado para os bans seguirem o cheater, e não só a conta

Em Counter-Strike 2, um ban apanha a conta, não a pessoa. Quem usa cheats é banido, cria uma conta nova e volta a jogar. Um estudante de mestrado da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia (NTNU) quer acabar com isso: na tese, mostra que é possível reconhecer um jogador pela forma como mexe o rato e usa o teclado, e assim ligar a conta nova à antiga.
O autor apresentou o trabalho no Reddit esta semana, com o nome de utilizador Magga_, e a ideia espalhou-se pelos sites da especialidade.
Como funciona
Cada jogador tem a sua maneira de mexer o rato: a velocidade com que vira, a forma como corrige a mira, os pequenos tremores. O mesmo acontece com o teclado: o ritmo e a ordem com que carrega nas teclas para andar, saltar ou agachar. O sistema junta tudo isto numa espécie de "impressão digital" do jogador, a que o autor chama CS-fingerprint.

O mais interessante é que não precisa de nada instalado no PC do jogador. Usa apenas as demos, as gravações das partidas que o CS2 já guarda. Cada partida nova junta mais dados à base de comparação, e o sistema compara as contas entre si para dizer se duas pertencem, provavelmente, à mesma pessoa. Foi pensado para correr numa fatia de 20 GB de uma placa NVIDIA A100, de centros de dados.
Os resultados
Os testes usaram dados de mais de 1.000 jogadores:
- a impressão digital do rato identificou o jogador certo em 100% dos casos;
- a do teclado acertou em 98%;
- com as duas juntas, separou todas as contas da mesma pessoa das contas de desconhecidos.
Pelo caminho, o sistema encontrou contas secundárias que ninguém conhecia. Alguns resultados que pareciam erros eram, afinal, smurfs (contas extra) de jogadores que já estavam nos dados. Num caso, a mesma pessoa estava por trás de quatro contas.

Os limites e as dúvidas
- Escala: mil jogadores é pouco. O CS2 passa de 1,2 milhões de jogadores em simultâneo nos picos, e o autor quer testar o método a essa escala;
- Contas partilhadas: se duas pessoas jogarem na mesma conta, o sistema baralha-se;
- Não deve banir sozinho: o autor defende que, no início, a ligação entre contas sirva só como prova adicional, ao lado dos sistemas que já existem, como o VAC e o Trust Factor da Valve;
- Privacidade: reconhecer pessoas pelo comportamento levanta questões, e há quem já se queixe de sistemas anti-cheat demasiado invasivos. O autor lembra que a forma de usar a técnica é uma decisão de cada empresa: "Usar cheats uma vez em criança não devia afastar ninguém de um jogo para sempre".
A Valve não comentou o estudo. Para já, é um trabalho académico, não uma função do jogo.
E para quem joga limpo?
Nada muda. Um sistema destes não precisa de software extra no PC, ao contrário de anti-cheats que funcionam ao nível do sistema operativo, e que até já deram problemas a quem comprou peças usadas: lembra-te do caso de quem ficou com o ban de Valorant agarrado a um processador usado.
Se queres tirar o máximo do CS2 de forma legítima, temos um guia com as melhores definições para ter mais FPS e menos input lag. E se estás a pensar num rato ou teclado mais rápido, vê os novos SteelSeries a 8.000 Hz e o Razer Huntsman V3 Pro Mini 8KHz.
No vídeo oficial da Valve, a explicação de como o CS2 regista cada movimento e cada clique com mais precisão:















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